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domingo, 15 de abril de 2012

PACIÊNCIA DE KUNG FU


PACIÊNCIA DE KUNG FU

A melhor palavra que achei no dicionário para definir paciência foi PERSEVERANÇA. Significa insistir ou, como dizia Churchill durante a Segunda Guerra, não desistir jamais, continuar. Definitivamente, a paciência não é mais uma virtude de nossos tempos. A rapidez da Internet, o twitter frenético, as fotos no Facebook mudando rapidamente, a quantidade enorme de e-mails que recebemos diariamente, o IPad, os torpedos, o Messenger, nada disto contribui para estimular nossa paciência. Paradoxalmente, entretanto, ela nunca foi tão necessária!

Paciência para estudar, para manter um cliente, para aprender, para ensinar, para detalhar um plano de ação, para utilizar um método, para resistir à frustração de um fracasso profissional, para resolver um problema, para tocar um projeto, para fazer longas reuniões com a equipe, para ler os detalhes de um relatório de auditoria ou da ouvidoria, para treinar atitudes em um funcionário, paciência! 

O contrário da paciência é a desistência. Você fica impaciente com a demora e simplesmente desiste. “Joga tudo para o alto”, “chuta o pau da barraca”, “joga a toalha”. Dizem que o sucesso fica um pouco mais adiante do ponto onde a maioria desiste!

O sofrimento é temporário e a desistência é permanente.

O que tempera o caráter de uma pessoa é a dor e o sofrimento. Quando a dor entra, a fraqueza sai do corpo. Estudar conhecendo a angústia de não saber, praticar exercícios físicos sentindo o corpo pedir a cama quente, tomar um ônibus na madrugada fria ao invés de dormir, trabalhar duro em vez de vadiar, dormir pouco, descansar menos ainda, preocupar-se, ir para a aula à noite após um dia de trabalho, enfrentar o mundo desconhecido de um projeto, saber que pode não dar certo, arriscar todo o prestígio em uma empreitada, olhar para a filha dormindo e saber que ela depende de você, tudo isto dói, mas forja a grandeza dos vencedores.

Paciência não significa lentidão, resignação, acomodação. Ao contrário, é a virtude de começar tudo novamente após uma grande derrota, é não entregar-se jamais. É uma árvore com raízes muito amargas, mas com frutos muito doces... 

Como os praticantes do Kung Fu sabem, talvez a primeira tarefa para quem deseja ser um grande lutador seja apenas lustrar um móvel, passando o pano para cima e para baixo, para baixo e para cima, durante horas, dias a fio. 

Alguém me disse um dia destes: “sou formada em Administração, tenho vinte e sete e anos e tudo o que consegui foi um emprego temporário de demonstradora de um produto nos supermercados. Este emprego não está à minha altura”. Esta frase é autoincriminatória por natureza. Provavelmente, esta pessoa sempre será um fracasso, se insistir em não começar por baixo. Fazer o melhor, em qualquer situação, só ajuda. 

Nada que é bom fica sem dono. Eu disse para ela: “Se você for a melhor, a mais técnica, a mais simpática demonstradora, alguém notará você e o progresso será inevitável, mas você deve ter paciência, alegrar-se com a oportunidade que está tendo e esquecer a arrogância”. 

Um bom ensinamento para nossos filhos e para nossos profissionais: a paciência!

Veja o que a Bíblia ensina: Romanos 5: 3 e 4 diz assim: “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz paciência; e a paciência, a experiência; e a experiência, a esperança”.

Paulo Ricardo Mubarack

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