e-goi

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Agente laranja, agora na Amazônia

Agente laranja, agora na AmazôniaJosé Eduardo Mendonça - 15/07/2011 às 11:32




Notícia ganha repercussão internacional

O agente laranja teve um poder tão letal quando o das armas na Guerra do Vietnã, causando cerca de 400 mil mortes. A substância foi usada pelo exército americano como desfolhante, para reconhecimento do inimigo em solo. Décadas depois, o herbicida está sendo usado de novo para matar – desta vez, na floresta amazônica. O desastre já havia sido anunciado pela imprensa brasileira, mas agora ganha repercussão internacional, como em matéria de ontem do Guardian. Em semanas recentes, autoridades descobriram que fazendeiros estão borrifando a substância química, altamente tóxica, numa tentativa de limpar o solo sem que elas percebam. O herbicida é muito mais difícil de detectar que os métodos tradicionais de desflorestamento, que usualmente envolvem ferramentas mais visíveis, como tratores e correntes.

No Brasil, as autoridades ambientais foram alertadas pela primeira vez sobre o uso de agente laranja na Amazônia através de fotos de satélites, que mostraram milhares de árvores cuja cor era cinzenta e que haviam perdido todas as suas folhas. As autoridades disseram que o veneno provavelmente foi despejado sobre as árvores por aviões, embora não se saiba a quem pertençam. De acordo com as fotos, cerca de 440 acres já foram envenenados. Mas em uma floresta tropical tão rica em vida animal quanto a amazônica, ela também perece. Não há ainda estimativas de quantas ou quais espécies foram afetadas – diferentemente do desflorestamento, elas têm pouca oportunidade de escapar do agente laranja, e assim os danos causados pordem durar gerações, pela eliminação de populações inteiras de plantas e animais.

"Eles mudaram sua estratégia porque, no curto prazo, podem destruir mais áreas de florestas com herbicidas", afirmou Jefferson Lobato, do IBAMA. "Não precisam mobilizar equipes para desflorestamento, e fogem à supervisão ". Numa batida recente, funcionários do instituto descobriram cerca de 4 toneladas da substância química aguardando dispersão – se isto houvesse acontecido, 7500 acres de floresta teriam sido destruídos, e as águas contaminadas. Mas neste caso, o fazendeiro responsável teve o material apreendido e pode ter de pagar uma multa de U$ 1.3 milhão, relata o Guardian. A nova tática de desflorestamento coincide com esforços governamentais para detê-lo. No ano passado, o governo anunciou um plano de reduzir o desflorestamento em 70% nos próximos dez anos – ou em cerca de 6000 mil km quadrados por ano. Mas o uso de agente laranja -cujos efeitos ainda são visíveis no Vietnã, onde milhões de pessoas tiveram doenças diretamente associadas a seu uso – torna o desflorestamento da Amazônia um problema ainda mais urgente.

Foto: IBAMA/divulgação - http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/planeta-urgente/agente-laranja-agora-amazonia-295668/

Nenhum comentário: